Bolsonaro fez um discurso nesta segunda-feira, na Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que mais parecia a fala de alguém que nunca concorreu a um cargo eletivo, ou mesmo que jamais pleiteou sequer uma vaga em um diretório acadêmico. O presidente da República, há mais de 30 anos na política, está surpreso com as dificuldades encontradas diante de seus colegas para aprovar as reformas. Após três décadas no meio, mesmo depois de tantos anos morando em Brasília e convivendo com seus pares no Congresso, Jair descobriu que precisa dialogar, argumentar e convencer os aliados e adversários de que suas ideias são as melhores para o Brasil. “O Brasil é um País maravilhoso, que tem tudo para dar certo. O grande problema é a nossa classe política”.

FOFOCAS

Quais os frutos que poderemos esperar de um presidente que classifica o País como ‘ingovernável”? Bolsonaro parece fazer um apelo por ajuda. Dá a entender que não tem mais o controle do avião. No discurso, após chamar os políticos de “grande problema”, voltou a botar a culpa na imprensa, a quem chamou de fofoqueira. “É uma grande fofoca. E grande parte da nossa mídia se preocupa mais com isso”, analisou, para deixar claro que não é capaz de ser o que seus seguidores querem que ele seja, em português claro, o salvador da pátria. “Apesar do meu nome ser Messias”.

CAIU A FICHA  

Sem acordos, sem conchavos, sem o toma lá da cá, Bolsonaro insinua que não pode fazer nada. Até o senador Omar Aziz pediu que ele desse “nome aos bois”. Nada de resposta.  Fica claro que em vez de agregar, o presidente está irritando aqueles que terão o dever de votar, contra ou a favor aos seus projetos de Lei. Jair é político, conhece como poucos a política, é pai de políticos, não tem como dizer que não sabia que seria assim. Se apresentou ao povo como o homem que poderia mudar o País, acabar com a corrupção e fazer o novo. Não tem nada de desavisado.