Desde o início do mês está chovendo campanhas pedindo às mulheres que façam mamografia, autoexames e procurem a rede de saúde pública para prevenir o câncer de mama. Tudo muito lindo, muito bom, tudo muito, digamos, rosa. Mas a verdade é que tanto a oferta para mamografias, quanto o tratamento contra o câncer não tem nada de colorido. Uma pesquisa da Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia em parceria com a Sociedade Brasileira de Mastologia mostrou que a proporção de mulheres que fazem o exame pelo SUS vem diminuindo. Em 2017, o percentual era de 24%, enquanto que em 2018, 22%. O estudo mostra também que o número de mamografias feitas em 2018 foi o pior dos últimos 6 anos, apenas 2.648.227 exames realizados. E a pior região é a Norte!

 

HIPOCRISIA

Dê uma volta nos hospitais que cuidam de pacientes com câncer em qualquer lugar do Brasil. Vá ao Cecom, em Manaus, e escute o que pacientes, médicos e profissionais têm a dizer sobre as condições de atendimento, são apenas para quem tem câncer de mama, mas para qualquer outro tipo de câncer. O tamanho das filas, a falta de medicamentos, a demora no atendimento, a sobrecarga de trabalho para os atendentes. Criar um mês para falar sobre o câncer de mama é uma iniciativa louvável. Mas não adianta ficar na teoria, se na prática o atendimento e a prevenção são apenas uma ilusão.

 

BRASIL

O Ministério da Saúde recomenda que mulheres com 50 a 69 anos realizem a mamografia de rotina, uma vez a cada dois anos. Dois terços dos casos são diagnosticados em mulheres com mais de 50 anos, e um terço em mulheres mais jovens, E quanto mais pobre é a mulher, pior. A última Pesquisa Nacional de Saúde sobre o tema, mostra que metade das mulheres sem instrução ou com nível fundamental incompleto,  não têm acesso ao exame. E na região Norte, menos de 30% consegue fazer o exame.