Cientistas do mundo todo estão na expectativa para o fim do inverno no Hemisfério Sul, o aumento da temperatura e a criação de condições climáticas desfavoráveis para o Covid-19. Além da tendência de menor aglomeração das pessoas em tempos quentes, o Covid-19 se comporta como outras gripes e tende a ser sazonal.  “Com base naquilo que documentamos até o momento, parece que o vírus encontra mais dificuldade para se expandir entre as pessoas que vivem em climas mais quentes”, disse Mohammad Sajadi, professor associado na Instituto de Virologia da Universidade de Maryland, um estudioso do surto que contagiou mais de 400 mil pessoas em todo o mundo.

Cientistas das universidades de Beihuang e Tsinghua, na China, chegaram à conclusão que regiões quentes e úmidas tiveram menor disseminação do Covid-19, o que é uma ótima notícia para o Amazonas. A pesquisa de Sajadi indica que a transmissão é mais acentuada em temperaturas mais baixas. Mas isso não significa que ele não sobreviva ao calor. O coronavírus apenas tem a transmissão dificultada.

CONTRAPONTO 

Havia a esperança baseada em estudos com a Sars, prima-irmã da Covid-19, que já desapareceu, que o novo coronavírus seguisse o mesmo rumo e fosse sensível ao calor do verão dos trópicos. Mas só de saber que ele fica menos transmissível já um alento em meio a tantas pessoas infectadas.  “Se criou um mito que a Sars sumiu derrotada pelo calor”, disse recentemente Marc Lipsitch, epidemiologista da Universidade de Harvard que tem se destacado por suas previsões acertadas de progressão da pandemia _ e é dele que cerca da metade da população global será infectada. “A Sars não teve morte por causas naturais. Ela foi derrotada por medidas de saúde pública, como isolamento e quarentena”, escreveu ele num artigo, deixando claro que, apesar da menor transmissão, mesmo no calor, ele continua circulando.

FAKE NEWS

Diante de tantas teorias, a Fiocruz emitiu este mês um sinal de alerta contra fake nwes e indicou o site da instituição. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou que mensagens atribuídas à instituição que circulam no WhatsApp são falsas. A corrente traz informações erradas a respeito das características do novo coronavírus e do Covid-19. A mesma corrente já havia sido atribuída à Unicef, que desmentiu o conteúdo da mensagem.

A Fiocruz esclareceu que “na mensagem, estão colocadas as seguintes informações falsas:

  • O coronavírus é maior do que o normal; o diâmetro da célula é de 400 a 500 mícrons e, por esse motivo, qualquer máscara impede a sua entrada no organismo. FALSO
  • O coronavírus, quando cai sobre uma superfície de metal, permanece vivo durante 12 horas. Lavar as mãos com água e sabão é suficiente para destruí-lo. FALSO
  • O coronavírus, quando cai sobre um tecido, permanece vivo durante nove horas, portanto, lavar a roupa ou colocá-la ao sol durante duas horas será suficiente para eliminá-lo. FALSO
  • O vírus só vive nas mãos durante 10 minutos. Assim, usar um desinfetante em gel também o eliminará. FALSO
  • O vírus exposto a uma temperatura de 26° C a 27° C morre. FALSO
  • A água que esteja exposta ao sol poderá ser consumida sem qualquer perigo. FALSO
  • Evitar comer gelados ou pratos frios; os alimentos quentes são mais seguros, visto que o calor elimina o vírus. FALSO
  • Gargarejar com água morna ou salgada mata os vírus que se alojam nas amígdalas e evita que passem para os pulmões. FALSO”

A Fundação reforçou a importância de compartilhar informações de fontes confiáveis e orientou que é possível encontrar notícias sobre a doença no portal.fiocruz.br/coronavirus.