A delegada titular Joyce Coelho, titular da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), voltou a afirmar, durante coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (13), que a menor E. C. S de 9 anos, na verdade não foi sequestrada a menina fugiu de casa na esperança de escapar de um lar abusivo.

“Essa é uma criança que já sofria abusos familiares, já tem residentes, tanto na especializada como abrigos locais. Essa criança de fato foge de casa por vive uma situação exploração, tanto sexual como do trabalho infantil. Essa criança foi retirada da família, em dezembro estava em um abrigo e foi entregue novamente para a família. Porque o correto é a criança está sempre com a família original”, explica Joyce.

A delegado falou ainda que, após a fuga o correto teria sido que a menina fosse levada direto para a delegacia para ser ouvida pelos psicólogos para descobrir o motivo da fuga e não entregue direto para o lar como aconteceu no caso da menina.

“Essa vítima foi entregue diretamente para a família o que causou uma grande comoção. E no dia de ontem (12/02), a gente escutou essa vítima aqui na delegacia e ela nos relatou que de fato vive em uma situação de vulnerabilidade extrema. Essa criança pede dinheiro nos sinais. Só que ela está sendo explorada por uma pessoa lá da Colônia Antônio Aleixo e ela foge dessa situação. Então foi convidada por uma colega para ir para Iranduba”, conta Coelho.

A delegada explica que a pratica de abrigar menor sem permissão legal também é crime e que figura aliciamento, cooptação para exploração infantil e sexual, não configura sequestro, mas ainda assim é crime. “A criança fugiu de uma situação de exploração e caiu em outra situação da mesma forma”. A menina relatou ainda que não sabe ler nem escrever e que tem vontade de estudar, por isso ia para sinais pedir dinheiro para compra o próprio material escolar.

A partir de agora Edilene irá morar em um abrigo definitivo e não retornará mais para a casa da avó. Ela irá estudar e ficará em um lugar seguro e terá acompanhamento regular da Depca. “Não tem mais condições dessa criança volta para o Antônio Aleixo”.

 

 

ENTENDA O CASO

Edilene desapareceu no dia 1º fevereiro, quando saiu de casa, na Colônia Antônio Aleixo, a pedido da avó para comprar um frango. O caso só foi registrado, e por um vizinha, no dia 4. Ela foi encontrada na noite de terça-feira (11), na Vila do Paricatuba, pertencente ao município de Iranduba, localizado na Região Metropolitana de Manaus.

No dia do resgate, a história que foi contada para o Conselho Tutelar, era de que ela teria sido sequestrada em Manaus e levada para a comunidade onde seria comercializada. Duas mulheres e um homem foram detidos.

 

Assista a coletiva sobre o caso: