“Tá vendo aí o CV? Aqui o bagulho é doido, aqui é FDN, Tudo 1. Não fala o nome, mas vocês vão saber quem é”. A frase de um bandido que se identifica como membro da Família do Norte enquanto tortura Fênix Maciel, de 27 anos, é a informação mais próxima que a família da vítima tem do jovem manauara. Ex-membro da FDN, ele trocou de lado, se “alistou” no Comando Vermelho e pagou com a vida pela mudança de lado. Ao menos é essa a história que os parentes acreditam explicar o vídeo da tortura, que circula desde o fim de semana nas redes sociais de Manaus. Nas imagens impublicáveis, Fênix é mutilado aos poucos. A família o reconheceu pela roupa, pela tatuagem no tórax e por traços nas sobrancelhas. Agora eles pedem que a FDN devolva o cadáver do rapaz, que está desaparecido desde segunda-feira, dia 6.  “Ele estava com a mesma roupa do dia que sumiu. Deu pra ver a tatuagem que vai da barriga até o peito. Apesar do rosto muito  machucado, o reconhecemos pelas sobrancelhas. Só queremos que devolvam o corpo dele, para darmos um enterro digno”, diz um dos parentes que estão ´[a procura do rapaz.

Fênix morava na comunidade Valparaíso, bairro Jorge Teixeira, de onde saiu após receber uma ligação. Monitorado por tornozeleira, por responder pelo crime de tráfico, além de trocar de lado ele deixou uma dívida na FDN. E o tráfico não costuma perdoar. Os criminosos que aparecem no vídeo mutilando o rapaz usam as imagens como recado ao Comando Vermelho. A família chegou a ir ao ramal do do Brasileirinho, onde o vídeo teria sido gravado, mas não acharam cova nem os restos mortais da vítima.

SEIS MESES LIVRE

Fênix estava de volta às ruas há seis meses. Nos cinco anos que passou preso sobreviveu a dois massacres no sistema carcerário do Amazonas, mas a saída da cadeia foi como uma sentença de morte. Jurado de morte por traição, quase não saía da casa da mãe. Trabalhava cortando cabelo. Mas apesar das ameaças, estaria “entregando” os ex-aliados. A morte dele, se confirmada, entra para as estatísticas do sangue frio que derrama em Manaus desde janeiro, com mortes cruéis, onde os matadores não se contentam em tirar a vida das pessoas. Precisam usar dos piores métodos possíveis, com direito à filmagem e compartilhamento, não deixando nada a dever às piores organizações terroristas do mundo.