O desembargador Flávio Pascarelli, 61, vai receber nesta sexta-feira (24) a Medalha da Ordem do Mérito Industrial Moyses Israel, no evento “Industrial do Ano”, no SESI Clube do Trabalhador. A condecoração da indústria é pelo reconhecimento à sua contribuição no exercício à frente do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE) e atualmente na direção da Escola Superior de Magistratura do Amazonas.

Pascarelli herdou a vontade de ingressar na carreira de Direito com o tio, desembargador José de Jesus Ferreira Lopes, já falecido, que ingressou na magistratura amazonense em 1953, alcançando o mais alto cargo, de Presidente do TJAM, em 1979. Hoje o saudoso “Desembargador Jesus” denomina o Centro Administrativo (anexo à sede do Tribunal de Justiça).

“Meu tio era um ídolo que eu tinha, fiz Direito pensando nele e na carreira de magistratura, então naturalmente eu tive essa influência. Só que quando me formei, na época com 22 anos, não era possível fazer concurso para juiz, você só fazia com 25 anos e mais dois anos de prática jurídica, então advoguei ainda por três anos e fiz concurso com 25, e assumi logo depois”, relembrou Pascarelli.

Entre os cargos ocupados, o desembargador presidiu o TJAM (2016-2018), TRE (2016-2018), Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais- COPTREL (2012), dentre outros cargos ocupados em nível estadual e nacional. Atualmente o desembargador está na Câmara Cível do Tribunal de Justiça.

“Hoje estou exercendo a magistratura, algo que desde o princípio da carreira eu quis. Entrei há 11 anos no TJ e de lá para cá exerci somente cargos administrativos, com sete meses houve o afastamento de alguns desembargadores e eu fiquei como vice-presidente. Fui também para o Tribunal Eleitoral e exerci primeiro como corregedor e depois como presidente, portanto, foram anos em cargos de direção e só agora exerço a magistratura”, relatou ele.

Dentre os projetos desenvolvidos em seu mandato de presidente do TRE-AM, Pascarelli destacou a campanha feita em 2012, conhecida como “Eleições Limpas”, onde Manaus foi a primeira cidade do Brasil a amanhecer, no dia da eleição, sem “santinhos” de candidatos nas ruas, o que rendeu o prêmio Innovare, na categoria juízes, reconhecido pela Rede Globo.

“Manaus vivia sério problema de sujeira por causa dos ‘santinhos’, portanto, eu, junto com o atual juiz do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Jorsenildo Nascimento, fizemos um projeto e criamos um gabinete ambiental, que envolvia todo o pessoal que trabalhava com meio ambiente no Amazonas. Tivemos sucesso absoluto, porque nas nossas eleições não tiveram sequer um santinho jogado na rua” relembrou ele.

Fora a carreira jurídica, Pascarelli se sente realizado dentro de sala de aula. Fundador e diretor da Escola Superior de Magistratura do Estado do Amazonas (ESMAM), ele recorda que conheceu o Brasil, dando aula, sendo também professor de cursos de graduação pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Universidade Cândido Mendes (UCAM) no Rio de Janeiro (RJ).

“Meu trabalho agora é com a escola de Magistratura, onde me sinto bem, além da minha função de juiz, gosto da sala de aula. Eu fui fundador da Escola de Magistratura do Amazonas no tempo em que a única escola que havia era do poder executivo, então acho que a gente contribuiu para melhorar a qualificação dos juízes, e é esse meu objetivo, dar continuidade, porque um juiz bem qualificado atende melhor a sociedade”, disse Pascarelli.

“A poesia me levou à música”

Fora do ambiente acadêmico e do Tribunal de Justiça, Pascarelli é um compositor de samba apaixonado. O gosto pela poesia o levou a escrever composições, graças ao sambista e compositor manauara, Paulo Onça. Juntos já tiveram alguns sucessos autorais gravados por grandes nomes do samba, como Luiz Antônio Feliciano, mais conhecido como Neguinho da Beija-Flor, Xande de Pilares e Simone Ávila. “Onde eu me divirto é compondo música, fazendo uns sambinhas”, disse.

“Sempre gostei de poesia e a poesia me levou até a música, graças ao Paulo Onça, que me chamou para fazer a letra do samba que ele compôs anos atrás, adaptamos alguns poemas e surgiram alguns sucessos na voz de cantores nacionais. Atualmente, a cantora Joyce Cândido, do Rio de Janeiro, tem levado nossa música também para Alemanha, Portugal e Japão e isso tem sido muito bacana”, contou ele.

Em 2018, o Teatro Amazonas recebeu uma edição especial do projeto idealizado em 2016, por Flávio Pascarelli e Paulo Onça, conhecido como “Conexão Samba Rio-Manaus”, que reúne compositores e músicos das duas cidades que dão nome ao projeto (MAO-RJ), e tem o objetivo de divulgar e fortalecer o samba com talentos de diferentes sambistas locais.

Ordem do Mérito Industrial

A homenagem foi recebida pelo desembargador, com bastante honra e gratidão, pelo nome que carrega em homenagem ao empresário Moyses Benarrós Israel, que desempenhou papel importante no desenvolvimento da indústria do Amazonas e na educação.

“Hoje sinto uma grande honra de receber essa medalha que leva o nome dele, Sr. Moyses, que era tão dedicado à educação no estado, segmento fundamental para a sociedade amazonense”, ressaltou ele. Com a homenagem, o magistrado se une a personalidades como o ex-governador Amazonino Mendes, general de Exército Guilherme Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, empresário Jaime Benchimol e deputado estadual Serafim Corrêa, entre outros.

 

 

Fonte: http://www.fieam.org.br/