Renato Gaúcho, Abel Braga, Carille e até Tite. Todos os técnicos brasileiros que estão em times de ponta estão enciumados com o português Jorge Jesus. Em menos de meia temporada no Brasil, o treinador do Flamengo não só fez o time carioca avançar por cima dos adversários, mas também mostrou que nossos treinadores pararam no tempo. Ricos, soberbos e ultrapassados há anos, eles foram jantados pelo professor português, que vira e mexe é alfinetado pelos colegas brasileiros, sem ação diante do Flamengo. Quando chegou ao time rubro-negro, o Palmeiras tinha oito pontos de vantagem. Hoje a folga é do Urubu, que engoliu o Verdão, jogando o fino da bola, sem colocar desculpa no cansaço, ou no VAR.

AULA

A primeira coisa que Jesus fez foi acabar com a folga dos jogadores. Técnicos brasileiros são reféns dos astros, que pintam e bordam. No Flamengo de Jesus, todos respeitam os mandamentos. Até a hora do almoço é ele quem dita. E ponto final. Aquela história de poupar jogador também acabou. Cansado fica o trabalhador que acorda às 5 horas da manhã, pega dois ônibus lotados, come marmita e volta para casa. Jogador milionário, de carrão, que viaja de avião e se hospeda em hotel 5 estrelas, não tem porque cansar. Joga domingo e quarta, sim. “Ora, pois.

PELADEIROS

Quem viu o Palmeiras jogar ontem contra o Vasco aquele futebol de peladeiro, de chutão, e nenhuma criatividade, consegue entender porque Jesus revolucionou o Brasileirão. Mano Menezes, ex-técnico da Seleção, é um retranqueiro convicto. Ganhou do Vasco de Luxemburgo, outro que parou no tempo, mas ninguém acha que esse time de peladas vai ser capaz de terminar o ano na frente da equipe de Jorge Jesus. Abel Braga, que não conseguiu botar esse mesmo Flamengo em ordem, Tite, que bate continência para Neymar, Renato Gaúcho e Carile, que levaram duas goleadas sonoras do time da Gávea, e todos os outros, deveriam ter humildade e reconhecer, que desde os 7 a 1 “doados” por Felipão, nunca mais o Brasil foi o mesmo com a bola no pé. Que Jesus fique por aqui, que chegue à Seleção e que os colegas nativos calcem as sandálias da humildade. É hora de aprender com o professor.