“Nosso adversário queria vencer o título, mas estamos em outro patamar, como diz o outro”. “Você vê alguma equipe no Brasil jogar como o Flamengo jogou nos primeiros 60 minutos?   Nenhuma”. “O árbitro marcou um pênalti porque queria colocar o Fluminense no jogo”.  Jorge Jesus está podendo. Chegou no Brasil um dia desses e ganhou tudo. Com o time que tem nas mãos, pouca gente duvida que vai continuar ganhando. Desde o ano passado não se tem notícia de um flamenguista humilde no mundo. Mas se tem uma coisa que caracteriza o flamenguista é a autoestima. Mesmo em tempos de vacas magras. É sempre “o maior do mundo”, “a maior torcida do mundo”, o “maior do Brasil, ‘o mais querido”. Se tem uma coisa que o flamenguista tem a ensinar a outras torcidas, é a capacidade de vangloriar o time. Seja ele o Flamengo de Zico, ou de Obina.

PATAMAR

“Estou em outro patamar”. A frase de Bruno Henrique virou ditado popular no Brasil em 2019. A própria origem do Flamengo, formado por dissidentes do Fluminense, mostra que o clube nasceu com o DNA do “sou mais eu”. Algumas coisas no futebol fazem parte da cultura dos boleiros. Surgem no campo, sobem para as arquibancadas e nunca mais mudam. É exatamente a máxima das gozações com o Vasco. O time pode até ser campeão, mas terá sempre o carimbo do vice nas costas. E quanto mais os vascaínos se irritam, mais a piada cola. É como o moleque da escola que ganha um apelido e se incomoda. Pode ter certeza que o bullying só vai aumentar.

 

VÍCIO

“Jorge Jesus sempre foi um treinador marcado por ser egocêntrico e até certo ponto arrogante. Quando está ganhando, então, muitas vezes ultrapassa do limite do bom senso – isso foi visto muitas vezes no Benfica”. O testemunho é do jornalista português Bruno Andrade, repórter do jornal “A Bola”. Jesus veio parar no lugar certo. Flamenguista adora se gabar. Assim como botafoguense adora uma superstição, corintiano adora um jogador raçudo e os gremistas adoram Renato Gaúcho. Se continuar ganhando vai continuar falando. E por ser estrangeiro o ciúme vai aumentar entre os colegas de profissão. Já os flamenguistas vão continuar zoando, se achando os melhores do mundo. Mesmo que não seja. Isso é o que menos importa.