O jornalista Carlos de Lannoy denunciou que recebeu uma ameaça por causa da cobertura do caso do carro da família que foi fuzilado por militares do Exército, neste domingo. No Twitter, o repórter da Rede Globo disse que as ameaças aconteceram em seu perfil no Instagram após a reportagem ser exibida no “Fantástico”.

No print postado por de Lannoy, o perfil supostamente de um homem diz, entre outras coisas, que “mexeu com o Exército, assinou sua sentença. Sua família vai pagar. Aguarde cartas”. O jornalista respondeu à ameaça dizendo que “não ficará assim”.

 

ENTENDA O CASO

Um homem identificado como Evaldo dos Santos Rosa, de 51 anos, morreu e duas pessoas ficaram feridas em uma ação do Exército na região da Vila Militar, na Zona Oeste do Rio, na tarde deste domingo (7).

Militares dispararam ao menos 80 vezes contra o carro em que estava Evaldo e sua família em Guadalupe, segundo peritos da Delegacia de Homicídios. O sogro da vítima também foi baleado e precisou ser hospitalizado.

Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê. A esposa e o filho de 7 anos de Evaldo e uma mulher não se feriram. Um pedestre que passava no local ficou ferido ao tentar ajudar.

A Polícia Civil realizou a perícia no local porque os militares tiveram dificuldade em realizá-la, devido à revolta dos moradores que testemunharam o crime, segundo o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios da Capital. Mas os envolvidos na ação foram ouvidos em uma delegacia militar, não civil.

Militares atiraram por engano contra a família, segundo relatos de testemunhas e parantes. O Comando Militar do Leste (CML) primeiro negou ter atirado contra uma família e disse ter respondido a uma “injusta agressão” de “assaltantes”.

À noite, em outra nota, p CML informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.