O jovem que ficou conhecido por ter tido a frase “eu sou ladrão e vacilão” tatuada na testa foi condenado a quatro anos e oito meses de prisão pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ- SP). Ruan Rocha da Silva foi preso em março de 2018 por furtar frascos de desodorante num supermercado em Mairiporã (SP).

Em audiência de instrução, interrogatório, debates e julgamento realizada nesta terça-feira, foram ouvidas duas testemunhas, identificadas como vítimas, assim como o réu, que recebeu sentença de reclusão em regime semiaberto e 11 dias-multa.

Na época, Ruan negou ter cometido qualquer furto. O tatuador, Maycon Wesley, e seu amigo filmaram o momento da tortura e o vídeo foi divulgado nas redes sociais. A dupla foi condenada à prisão pelos crimes de lesão corporal gravíssima e constrangimento ilegal. Depois o jovem passou por sessões de remoção.

A versão do crime segundo Ruan é de que ele estava alcoolizado e drogado quando viu a porta de uma pensão aberta e entrou. Ali, foi pego pelos dois homens, que amarraram suas mãos e pernas e fizeram a tatuagem. Depois disso ainda saíram com ele pelas ruas, mostrando a tatuagem para outras pessoas, antes de o deixarem ir embora.

O jovem parou de estudar na oitava série do ensino fundamental. Por conta da dependência química, ele foi acompanhado pelo Conselho Tutelar e chegou a fazer tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de São Bernardo do Campo.

Quando foi torturado, Ruan vivia com a avó e um tio em uma casa do bairro de classe média Ipê, no ABC paulista. Nenhum dos adultos, porém, tinha renda fixa e a família enfrentava um processo que podia despejá-los do imóvel.