A semana começou com mais uma guerra nas redes sociais. De um lado a cantora Márcia Felippe, que resolveu alfinetar a canonização de Irmã Dulce. Do outro, os fiéis da freira declarada a primeira santa brasileira pleo Vaticano. Márcia deu um tempo nas reboladas para afirmar que “apenas o senhor Jesus é Santo”. Foi o suficiente para ser atacada e difamada. Se de fato Jesus ensinou que não devemos julgar, tanto ela quanto os que atiram pedra nela estão errados. E o ponto onde erram é não respeitar o quadrado do outro. O Brasil é um País Laico. Quem quer ser católico e seguir os preceitos da Igreja comandada pelo Papa Francisco que o faça. E quem não concordar, que discorde e não siga. Mas tudo com o devido respeito, que neste caso passou longe.

 

 

SANTOS

Na defesa de sua “tese”, Márcia garante que leu na Bíblia os argumentos definitivos. Ela diz que ajudar os outros “não faz nenhum ser humano ser ‘santo”. Irmã Dulce viveu para os pobres, deixou um legado, mas jamais foi registrado em seus depoimentos o pedido para ser “Santa”. Por outro lado, Márcia ou qualquer outro brasileiro tem direito a dar sua opinião. O Brasil lutou muito para ser um país democrático, mas agora as pessoas perderam a noção do que fazer com “essa tal liberdade”.  E as redes sociais viraram o campo de batalha desse povo de Deus. “Essa daí que parece uma santa santa ignorância”, escreve um internauta. “Ela não disse nenhuma uma mentira, só afirmou aquilo que muitos não sabem”, retruca o outro.

 

IGREJA

A Igreja é formada por homens e como tal, tem suas virtudes e pecados. Não é de hoje que explodem casos de pedofilia, desvios de dinheiro, avareza e dissimulação no Vaticano. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, usaram a igreja para destruir os índios, sob o pretexto de catequizar os donos desta terra. Por outro lado, há milhões e milhões de histórias mundo à fora de padres, freiras e fiéis que espalham o bem, “salvam almas” e dão a vida pelo próximo. Não ponha a culpa na Igreja. Muitos que estão nela não são santos. Muitos que não estão, não estão condenados ao Inferno. Márcia apenas deu sua opinião, e mesmo que ninguém tenha pedido, ela tem o direito de dar. Assim como quem não concorda tem o direito de discordar. Deus é amor, e não essa guerra inútil que Márcia e Irmã Dulce se transformaram. Não precisa ser santo para entender isso.