Higson Ramos se foi. O motorista de APP friamente assassinado não terá mais a vida de volta. Os detalhes do crime foram revelados na manhã desta segunda-feira e deixam mais claro ainda que, no Brasil, só quem tem garantia quando o assunto é “direitos humanos” são os bandidos. João Victor da Rocha Maduro e Felipe Gomes de Araújo foram apresentados, jogaram a culpa para o menor de idade e, de acordo com a polícia, mataram o pai de família para que ele não os reconhecesse no futuro. Quis o azar do destino, que vítima e bandidos morassem no mesmo bairro. Foi a sentença de morte do trabalhador.

 

R$ 35

Tudo o que Higson tinha no bolso era R$ 35. O motorista tentou fugir após levar a primeira facada do adolescente de 16 anos que está apreendido (não podemos falar o nome dele, isso é um direito que o menor marginal tem). Ferido no peito, correu para salvar a própria vida. Fraco  por causa do ferimento, caiu e foi executado com mais facadas. Além do dinheiro, levaram dele o celular e o carro. “Um crime repugnante”, analisou o delegado Paulo Martins. Tão repugnante quanto saber que, por conta de tantos direitos, os assassinos não ficarão muito tempo presos. Logo estarão livres para fazer novas vítimas. É o direito de perpetuar o crime. É o Brasil onde vivemos.

 

SEM AJUDA

Na manhã desta segundas-feira, ainda muito abalada, a viúva de Higson falou com o Maskate. Keyte Nayara ainda não recebeu nenhuma ligação dos Direitos Humanos. Disse que ainda não teve condições de pensar nos próximos passos. Apesar da pressa em assegurar a dignidade dos marginais, quando o assunto é a vítima, a solidariedade demora. Isso se vier. Fica difícil explicar para os filhos pequenos de Higson, no futuro, porque a pátria dessas crianças trata com tanto zelo um criminoso e menospreza tanto as famílias das vítimas. Fica o vazio em mais uma família e o medo em todos nós, de que sejamos os próximos a morrer, sem direitos humanos, antes do suspiro final.