2019 mal começou e já entra para a memória, para as rodas de conversas e para as redes sociais como um ano de tragédias. Primeiro os mais de 160 mortos e mais de 150 desaparecidos em meio à lama, a irresponsabilidade e a falta de fiscalização de Brumadinho. A imprensa correu para Minas Gerais e os brasileiros começaram a chorar diante de famílias em luto, vidas perdidas e corpos desaparecidos, sepultados sob os rejeitos da milionária mineradora.

Antes que pudéssemos entender e agir em baixo dos escombros, o fogo cortou o maior clube de futebol do Brasil. Dez meninos, praticamente crianças, morreram queimados dentro de um alojamento onde a segurança e o cuidado nada lembram a fatura de dinheiro usada pelo Flamengo para contratar os pesos pesados do time profissional. Lá vamos nós, mais uma vez, ter a certeza de que negligenciamos a vida. Faltou alvará para funcionamento, faltou zelo pelas pedras preciosas, faltou ao Flamengo entender que antes da bola rolar existe um jogo mais importante: o jogo da vida!

E como se nada disso fosse suficiente para maltratar os corações somos pegos sem defesa para a morte do maior âncora de telejornais da historia da TV brasileira. Ricardo Boechat partiu de forma trágica, em meio a uma bola de fogo dentro de um helicóptero. O profissional que se notabilizou por cobrar das autoridades responsabilidade, perdeu a vida a bordo de uma aeronave pertencente a uma empresa que não tem autorização para realizar transportes de táxi aéreo, vítima de uma fatalidade ou de uma irresponsabilidade?

Será que não está na hora de pararmos de por a culpa no acaso e assumir nossas parcelas de culpa por tantas lágrimas?