É legítima a preocupação do presidente Jair Bolsonaro com a economia. Assim como é legítima a preocupação dos governadores, prefeitos, profissionais médicos e da população com o coronavírus. O discurso do presidente na noite desta terça-feira pode ter sido colocado na hora e da forma errada, mas não está de todo incorreto. Se a economia parar, haverá saques, desespero, assaltos e guerra nas ruas. Com fome, sem emprego e vendo os filhos chorar, não há quem fique em casa de quarentena. Quando a barriga doer, por horas, dias e semanas, quem estiver urrando não vai lembrar do corona. O que fazer com essas milhões de pessoas?

 

SOCORRO

O Governo Federal está tomando uma série de medidas econômicas, que incluem auxílio em dinheiro, adiamento de dívidas e liberação de recursos. Governadores e prefeitos também estão. Mas por quanto tempo essas medidas serão suficientes para colocar comida no prato do cidadão? O coronavírus chegou, está só no começo, mas ele não entende de política. Usar um discurso, por mais que não se concorde com ele, para aparecer como defensor da saúde popular não vale. Se estão mesmo preocupados com a saúde do povo, que os parlamentares abram mão das suas regalias desnecessárias, diminuam a quantidade de cadeiras e façam leis que melhorem o sistema, durante e depois da pandemia.

 

PRUDÊNCIA

Bolsonaro por vezes erra no tom. Afeito a falar o que pensa, nem sempre consegue ser “político” para medir as palavras. Mas ele foi eleito assim. Diante da crise de saúde, o Ministério da Saúde e da Economia estão agindo, independentemente da opinião do presidente, que se não foi sábio nas palavras, não mandou parar nenhuma das medidas contra o coronavírus. Já os governadores, entre eles Wilson Lima, sabem onde o calo aperta. E não estão dispostos a pagar sozinhos o ônus dessa pandemia. E estão certos. No fim das contas precisamos todos, do mais humilde cidadão ao presidente, ver o que estamos fazendo de certo e de errado, proteger nossas vidas, economia e viver um dia de cada vez.