A euforia pela libertação de milhares de presos após a decisão do STF não combina com a “sede de justiça” que tanto se viu nas redes sociais de milhões de brasileiros nos últimos tempos. Muito menos casa com a imagem de um País que gostaria de por ordem na casa. Desde que Cabral desembarcou no Brasil o País e os nativos desta terra foram saqueados, sugados e depois descartados como bagaço de laranja.  Talvez os que estão festejando não tenham entendido, ainda, que as portas das cadeias estão se abrindo para condenados de justiça, quadrilhas do colarinho branco, devidamente julgados, delatados e atestados sob o recibo de crimes contra muitos destes que não passam de massas de manobra.  A libertação desses seres não os absolve dos crimes que cometeram. Apenas reafirma que o Brasil é o paraíso dos Alis Babás.

 

QUADRILHAS

Quadrilhão, mensalão, mensalinho, propina, conchavos, delações e mais delações de empresários, assessores correndo com malas de dólares, ex-aliados contando como eram as reuniões nos porões. O pior cego é aquele que não quer ver. Em países como o Japão, homens públicos punidos por corrupção costumam não lidar bem com a vergonha e se matam. No Brasil, eles lutam para sair da cadeia, ganham tornozeleira, ou simplesmente saem pela porta da frente em seus carrões com vidros fumê, enquanto um exército de bajuladores eufóricos comemora dando cambalhota, como palhaços em espetáculos de circo.

 

DEBOCHE

Enquanto esse povo debocha da inteligência ou da falta dela, o Brasil se perde em meio aos debates de Facebook, memes e brigas em grupos de família. O País que se acostumou a vestir verde e amarelo volta a usar colarinho branco. Anda para trás e teme por ver ruir todo o trabalho feito por procuradores, juízes, Polícia Federal, Ministério Público e tantos profissionais que investigaram, descobriram e caçaram os ratos. Bem ao gosto do que sempre cantou Bezerra da Silva: “Malandro é o cara
que sabe das coisas. Malandro é aquele que sabe o que quer. Malandro é o cara que tá com dinheiro. E não se compara com um Zé Mané”.