A ideia do Papa Francisco, de ordenar homens casados na Amazônia, está dividindo como nunca a Igreja Católica. A quebra do celibato ganhou um adversário de peso: Bento XVI, o antecessor que renunciou ao papado e deu lugar à Francisco. “É indispensável para que o caminho na direção de Deus permaneça o fundamento da nossa vida”. Para o papa emérito, não é “possível realizar as duas vocações (sacerdócio e o casamento) ao mesmo tempo”. O choque entre a tradição e jeito novo de ver o mundo é visível e as cartas estão na mesa. Mas, afinal, é possível manter uma vida “mundana” e servir a Deus ao mesmo tempo? Jesus não nos ensinou a valorizar e cuidar da família? Quem tem razão? Ou os dois têm suas razões de ser. Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra. Mais vale um padre casado ou um que finge não ter desejos humanos? Os conhecidos xavecos das seguidoras do Padre Fábio de Melo, que posa ao lado de famosos e se mostra mais vaidoso fisicamente do que muitas mulheres, desvia a conduta dos caminhos de Deus?

 

A CRUZ E A ESPADA

A virada do Século 20 para o Século 21 tirou da Igreja Católica milhões e milhões de fiéis no mundo todo. A Igreja engessada perdeu lugar para cultos regados à músicas, celebrações festivas e linguagem bem humorada. Casos de sucesso como do pastor Cláudio Duarte, que prega fazendo o público se mijar de rir mostraram que a Igreja Católica devia se mexer. E modernizar os métodos tem sido uma máxima da Francisco. Inclusive levantando o tapete dos padres pedófilos, que desde os tempos de João Paulo II escondiam casos escabrosos de crimes sexuais. Entre a cruz e a espada, os católicos se dividem. E falando em divisão, lembramos do assunto mais espinhoso nessa história: o dinheiro da igreja.

MONEY

Reza a lenda, o celibato foi criado como forma de evitar que a igreja tivesse de dividir suas riquezas com os herdeiros dos padres. Se isso é ou não verdade, as respostas ficaram nos porões do Vaticano. Certo mesmo é que tanto o sacerdócio quanto o casamento, são vocações. E nem todos estão prontos para ela. Se Deus é amor e a família um projeto de Deus, algo se perdeu pelo caminho nessa discussão de séculos e séculos. Enquanto a Igreja não se decide, enquanto os papas divergem, uma coisa não tem discussão. Buscar os caminhos de Deus e os ensinamentos de Jesus nada tem a ver com apego ao mundo. Dinheiro, vaidade e poder. Nada disso leva alguém para os caminhos dos Céus.  Nisso, tanto Francisco quanto Bento devem concordar.