Exatamente um mês após ser encontrada morta dentro de um casarão em Manaus, o assassinato da estudante de enfermagem Heloísa Medeiros da Silva, de 17 anos, é um caso sem solução. Ela foi encontrada sem vida no dia 15 de dezembro, em uma casa na Miranda Leão, no Centro de Manaus. Seminua, estrangulada, sem as unhas, três dias após desaparecer ao sair de uma festa acompanhada de Michel Saboia de Souza, 19 anos. A residência onde ela foi morta pertence à avó de Michel, que desde então sumiu do mapa. A família, além das lágrimas, convive com a decepção e a revolta de saber que o assassino não foi preso. A história da morte de Heloísa é emblemática, mas está longe de ser exceção.

 

ROTINA NO BRASIL

Infelizmente os números oficiais do Brasil colaboram para a sensação de que matar não gera punição. Não bastasse a fragilidade da lei, na maioria dos casos nem essa pena branda pode ser aplicada. A sensação de perda é tão grande quanto a de injustiça. De acordo com os dados oficiais da Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública, somente 6% dos homicídios dolosos (com intenção de matar) são solucionados no país. Heloísa se junta a milhares de mortes nas quais o assassino não tem rosto, nome e nem vai para a cadeia. E essa situação esdrúxula ainda pode piorar. Porque agora inventaram a Lei de Abuso de Autoridade.  Não se pode mais divulgar o nome do suspeito, nem a foto. Matar e fugir ficou mais fácil.

 

PODE TUDO NO BRASIL

Richtofen, Nardoni, Guilherme de Pádua, Bruno. Só para citar casos nacionalmente conhecidos de pessoas que cometeram crimes bárbaros e hoje se beneficiam da lei. Se a família de Heloísa clama pela prisão do assassino, muito provavelmente terá outra decepção quando e, se ele for preso> Homicidas passam muito pouco tempo na cadeia. Se tiverem bons advogados então, a chance de sair em breve é grande. Punição mesmo no Brasil só para as vítimas e para os familiares das vítimas que passaram o resto da vida chorando. Infelizmente, o purgatório é aqui mesmo.