O diretor Rafael Spaca promete provocar em quem assistir ao documentário e à série ‘Trapalhadas Sem Fim’, ainda sem data de estreia, que conta os bastidores polêmicos envolvendo ‘Os Trapalhões’. “Divisão de lucros, amizade na vida real, puxadas de tapete, separação do grupo. Renato (Aragão) bom moço ou não? A série vai incomodar muitas pessoas”, promete Spaca, que ainda tem esperança de ouvir Aragão. Ao todo foram entrevistadas 63 pessoas, faltam aproximadamente umas cinco. Caetano Veloso, Angélica, Fagner, Tom Cavalcante, Tony Ramos e Regina Duarte são alguns dos que deram depoimento. Mas o diretor quis ir além. Conversou com camareira, empresário e até gerente da conta bancária do quarteto. “A camareira revelará se Renato gosta ou não de ser chamado de Didi e a convivência deles no camarim. O gerente conta como Dedé e Mussum administravam mal o dinheiro, e o empresário fala se eles eram ou não amigos fora da TV”, entrega Spaca.

Procurada, a Renato Aragão Produções, que cuida da carreira do artista, esclareceu que o ator não participará do documentário por “questões jurídicas e contratuais”.

FIM DO GRUPO

O programa ‘Os Trapalhões’ era um humorístico de sucesso formado por Renato Aragão (Didi), Manfried Sant’Anna (Dedé), Mauro Faccio Gonçalves (Zacarias, morto em 1990) e Antônio Carlos Bernardes Gomes (Mussum, morto em 1994). Ficou no ar na Globo de 1977 a 1995. Entre as confusões envolvendo os atores e humoristas, Spaca diz que a maior delas foi a separação do grupo em 1983. “A história é muito diferente da que o Renato contou em sua biografia”, diz.

“Um dos entrevistados, no final da conversa, disse: ‘Caramba, nunca falei tanto, nunca falei dessas coisas com ninguém, estou f…’. Na série, o público vai saber o que matou Zacarias, qual era a porcentagem nos lucros de cada um, e surpreendentes histórias pessoais”, diz.

Spaca conta que a ruptura do grupo aconteceu também por uma questão artística. “Mas o que mais pegou foi o lado financeiro. No documentário, o público cairá para trás quando descobrir o percentual de cada um. É assustador”, revela, em tom de suspense. Quando questionado sobre o que levou ao fim de ‘Os Trapalhões’, o diretor é categórico: “A morte do Zacarias (em 1990). Sem ele, o grupo não foi mais o mesmo. Para mim, acabou ali, mas eles prosseguiram, sem a mesma verve”, observa.