O velório de Gugu entrou para a história da mídia brasileira. O apresentador foi a primeira super celebridade nacional a morrer de forma trágica e inesperada nos tempos de redes sociais, selfies, curtidas, compartilhamentos e posts. Mais do que isso. Todos os presentes, famosos e anônimos, estavam ali dispostos a dar entrevistas, depoimentos, a chorar na frente das câmeras. Enquanto a família completava uma semana de luto e sofrimento, celebridades, subcelebridades e ex-celebridades surfavam na onda dos programas ao vivo. Cinco minutos no Datena, mais cinco na Sônia Abrão, mais cinco no Bacci. A aparição estava garantida. De Rodrigo Faro à Tiazinha, todo mundo tirou sua casquinha.

 

SILVIO SANTOS

A grande “ausência” no “show” foi Silvio Santos. Certamente o famoso mais querido por Gugu, o dono do Baú, aos 88 anos, mandou uma coroa de flores e não foi, para a tristeza dos fotógrafos, repórteres e apresentadores. Silvio se recolheu ao luto sincero. Mestre da TV, certamente ele sabe qual seria o resultado de sua visita ao velório. Um das filhas disse que ele estava em casa, abalado e recebendo forças da família. Gugu foi o filho que Silvio não teve. Pai apenas de meninas, o patrão amava tanto Gugu que deixou seu filho ir para a Record em nome da felicidade profissional.  “todas as emissoras de TV aberta se desdobram com notícias ao vivo da Assembleia Legislativa de São Paulo, onde ocorre o velório de Gugu Liberato. Todas menos o SBT”, destacou o site UOL. Sílvio mandou a morte de Gugu ser tratada como uma notícia de interesse nacional, mas proibiu o show.

 

CROCODILOS

Quatro dias após perguntar se seu choro estava dando audiência, Rodrigo Faro apareceu. De óculos escuros, fez fotos com os anônimos da fila, deu entrevistas a todos os canais e segurou o choro. Sabrina Sato não passou desapercebida. O site Observatório da TV apontou as críticas que ela recebeu, por estar fashion demais. “Conhecida pelo seu lado fashionista, a apresentadora escolheu um terninho com detalhas nas mangas e uma bufante gravatinha que chamou atenção de todos os que estavam por lá. Depois disso, ela conversou com os meios de comunicação”. No fim das contas, Gugu foi enterrado, todos voltam para casa e as lágrimas e a saudade ficam para poucos. Aqueles que não se preocupam com a roupa do velório, com a audiência da TV, com a chance de aparecer numa selfie na frente do caixão. Esposa, mãe, filhos, irmãos e os poucos amigos vão lembrar para sempre do Augusto, que morreu vítima de uma tragédia doméstica, enquanto vivia uma vida de verdade, longe das câmeras que ele tão bem controlou. O resto é isso: apenas espetáculo. Ou como se dizia antigamente,  vontade de aparecer.