A TV Maskate esteve na comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Ilha da Paciência, que é apoiada pelo Instituto Piatam, para produzir material para os programas Invest ZFM e Menina do Interior sobre a pesca do Manejo Sustentável do Pirarucu.

Desde 2017, a comunidade se beneficia da venda do pirarucu, que ocorre todo mês de novembro e é comercializado no município de Iranduba. De acordo com o presidente da Associação Comunitária Bebé Amaro, Manoel Cardoso, a venda do pirarucu funciona como uma renda extra. “Quando começamos, a ideia era tomar providências quanto à pesca predatória, pois o peixe estava cada vez mais escasso. No entanto, o manejo deu tão certo que começamos, desde 2017, a fazer uma vez ao ano a venda. Então, além de tirar o sustento para nossa família, nós também conseguimos fazer uma renda”.

Para saber o quanto pode ser vendido por ano é feito todo um planejamento. Manoel explica que primeiro é feito um zoneamento da área e depois monta um sistema de vigilância para evitar a pesca predatória. “Para sabermos a quantidade de pirarucu a ser vendida, é feito o levantamento de estocagem, que é a contagem do pirarucu no lago. Depois disso, fazemos o monitoramento desses peixes e com a capacidade produtiva em mãos, fazemos a pesca e comercializamos”.

 

MULHERES NO PROJETO 

 

Para Iran Prestes, que dentro do Projeto é tratador de peixe, o apoio do Instituto Piatam é fundamental. “Esse projeto só é possível porque o Piatam fornece todo o material e apoio que precisamos e nos ajudam com estudo e pesquisa de manejo na nossa comunidade”.

A participação das mulheres também é um diferencial no Projeto. Há dois anos, elas foram inseridas no processo e ajudam no preenchimento da ficha de monitoramento comunitário do pirarucu, nas atividades de pesagem, contagem e no tratamento para o destino fim até a comercialização. Com as sobras das escamas e barbatanas são feitos artesanatos. “Hoje eu me sinto realizada por participar de todo o processo. Isso mostra que as mulheres estão chegando em todos os lugares”, explica Maria Cristina Souza, secretária do Projeto.

 

CONTAGEM DE PIRARUCU FEITA “NO OLHO” 

 

A atividade de contar pirarucu é algo que ainda chama muita atenção e é parte fundamental para o manejo, pois fornece a base de dados para o estabelecimento das cotas de pesca a cada ano. A contagem de pirarucu nada mais é do que a estimativa do número de pirarucus em um lago, feita “no olho”, graças à habilidade dos pescadores, que ficam posicionados à margem do lago ou em cima de canoas e anotam quantos pirarucus emergem à superfície da água para respirar, em um espaço de 20 mil m2 e em períodos de 20 minutos. A Associação conta com dois pescadores certificados pelo Instituto Mamirauá em contagem de pirarucu.

 Para que as pessoas entendam um pouco mais sobre essa atividade, a Associação estará ministrando um curso de contagem de pirarucu no estande do Piatam durante a Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus (fesPIM), que acontece no período de 27 a 29 de novembro.